Na jornada da motion designer Vanessa Loria, empreender não foi acreditar em um projeto; foi apostar em um novo caminho para sua vida
Por Miguel El Debs*
Nem todo obstáculo empreendedor aparece como crise externa. Às vezes, ele é consequência de um incômodo interno, difícil de nomear, mas impossível de ignorar. A trajetória da Vanessa Loria é atravessada exatamente por esse tipo de ruptura silenciosa.
“O maior obstáculo foi perceber que eu estava insistindo em caminhos que já não faziam mais sentido para quem eu era naquele momento e aceitar isso sem me sentir um fracasso”.
– Vanessa Loria
Mudanças de rota
Formada em Farmácia Bioquímica, Vanessa passou anos tentando se encaixar em áreas ligadas à sua formação até entender que já não se reconhecia ali. Empreender, nesse contexto, não foi um plano, mas uma tentativa de reencontro.
Sua 1ª experiência foi com uma marca autoral de cerveja artesanal. O lançamento coincidiu com a pandemia e, ainda assim, o negócio resistiu por quase três anos. Naquele momento, ela não apenas era responsável pela fabricação do produto – a Bem-Te-Brew –, como criou todo o conceito visual do projeto.
Vanessa Loria criou a cerveja Bem-Te-Brew | Crédito: Arquivo pessoal
Foi um período duro, marcado por frustrações, insegurança e muitas dúvidas. “Persistir ali me ensinou algo importante: persistência não é insistir cegamente, é ter coragem de mudar de rota”.
A reinvenção não veio acompanhada de entusiasmo imediato, mas com o cansaço. “Nos momentos de crise, não encontrei oportunidades. Encontrei exaustão”. Com poucos recursos, o que restava era tempo e disposição para reaprender.
Vanessa, então, voltou a atuar como farmacêutica enquanto estudava, praticava e explorava novas possibilidades, sem garantia de retorno.
Novo norte
Na rotina intensa da antiga marca, na qual era produção, distribuição e marketing ao mesmo tempo, ela percebeu inesperadamente o prazer que sentia no processo criativo. “Foi ali que entendi o quanto gostava de design”. Dali para o motion design não foi uma linha reta, mas rápida e, com ela, a necessidade de aceitar ser iniciante novamente. “Quando me dei conta de que passava horas em hiperfoco aprendendo, percebi que precisava mudar de verdade. Não ajustar; mudar”.
A maior reviravolta da sua jornada foi essa mudança completa de carreira – a então farmacêutica estava no design! A incerteza foi enfrentada com foco no curto prazo: Estudar, praticar, errar rápido, aprender ferramentas novas. Nada confortável, mas necessário.
Vanessa aprendeu também a ressignificar os erros. “Acreditei por muito tempo que persistência significava aguentar qualquer coisa”, lembra. Hoje, entende que saber parar e escolher outro caminho também é maturidade. E a resiliência, para ela, nunca foi solitária, mas cheia de conversas honestas com amigos, família e outros empreendedores : “Tenho muita sorte por poder contar com isso”.
O equilíbrio entre inovação e sustentabilidade ainda está em construção e, por isso, Vanessa separa os espaços: trabalhos mais pragmáticos garantem estabilidade, enquanto, muitas vezes, fora do horário comercial, momentos ficam reservados para experimentação e projetos autorais.
“Nem todo trabalho precisa ser inovador. Alguns mantêm o negócio funcionando; outros me mantêm interessada”, define.
O maior mito que caiu no caminho foi o da autoconfiança constante, com o aprendizado de que seguir, mesmo sem todas as respostas, é parte do processo. “Empreender não é ser confiante o tempo todo. Eu lido diariamente com insegurança e dúvida”.
Hoje, à frente da Gema Animation, projeto iniciado em 2024 e agora parte do DBShub (se você não conhece, clica aqui para descobrir sobre essa plataforma), Vanessa atua como motion designer há quatro anos e colabora com marcas e agências nacionais e internacionais. Na animação, encontrou um espaço onde design, narrativa e movimento se unem para dar forma à autenticidade.
Miguel El Debs | Crédito: Érico Andrade
O conselho que ela daria para si mesma no passado resume bem sua jornada: “Você não precisa ter tudo claro para começar, mas precisa ser honesta consigo mesma durante o caminho”. Mudar de ideia, afinal, não é fraqueza; é inteligência emocional aplicada à vida profissional.
Se você conhece alguém cuja história empreendedora merece ser contada, escreva para contato@grupozumm.com.br
* Miguel El Debs é empresário, Head do DBShub e do LIDE Empreendedor, sócio do Grupo ZK, e conselheiro estratégico com foco em Branding e Marketing.
Mudar de rota também é persistir
Na jornada da motion designer Vanessa Loria, empreender não foi acreditar em um projeto; foi apostar em um novo caminho para sua vida
Por Miguel El Debs*
Nem todo obstáculo empreendedor aparece como crise externa. Às vezes, ele é consequência de um incômodo interno, difícil de nomear, mas impossível de ignorar. A trajetória da Vanessa Loria é atravessada exatamente por esse tipo de ruptura silenciosa.
Mudanças de rota
Formada em Farmácia Bioquímica, Vanessa passou anos tentando se encaixar em áreas ligadas à sua formação até entender que já não se reconhecia ali. Empreender, nesse contexto, não foi um plano, mas uma tentativa de reencontro.
Sua 1ª experiência foi com uma marca autoral de cerveja artesanal. O lançamento coincidiu com a pandemia e, ainda assim, o negócio resistiu por quase três anos. Naquele momento, ela não apenas era responsável pela fabricação do produto – a Bem-Te-Brew –, como criou todo o conceito visual do projeto.
Foi um período duro, marcado por frustrações, insegurança e muitas dúvidas. “Persistir ali me ensinou algo importante: persistência não é insistir cegamente, é ter coragem de mudar de rota”.
A reinvenção não veio acompanhada de entusiasmo imediato, mas com o cansaço. “Nos momentos de crise, não encontrei oportunidades. Encontrei exaustão”. Com poucos recursos, o que restava era tempo e disposição para reaprender.
Vanessa, então, voltou a atuar como farmacêutica enquanto estudava, praticava e explorava novas possibilidades, sem garantia de retorno.
Novo norte
Na rotina intensa da antiga marca, na qual era produção, distribuição e marketing ao mesmo tempo, ela percebeu inesperadamente o prazer que sentia no processo criativo. “Foi ali que entendi o quanto gostava de design”. Dali para o motion design não foi uma linha reta, mas rápida e, com ela, a necessidade de aceitar ser iniciante novamente. “Quando me dei conta de que passava horas em hiperfoco aprendendo, percebi que precisava mudar de verdade. Não ajustar; mudar”.
A maior reviravolta da sua jornada foi essa mudança completa de carreira – a então farmacêutica estava no design! A incerteza foi enfrentada com foco no curto prazo: Estudar, praticar, errar rápido, aprender ferramentas novas. Nada confortável, mas necessário.
Vanessa aprendeu também a ressignificar os erros. “Acreditei por muito tempo que persistência significava aguentar qualquer coisa”, lembra. Hoje, entende que saber parar e escolher outro caminho também é maturidade. E a resiliência, para ela, nunca foi solitária, mas cheia de conversas honestas com amigos, família e outros empreendedores : “Tenho muita sorte por poder contar com isso”.
O equilíbrio entre inovação e sustentabilidade ainda está em construção e, por isso, Vanessa separa os espaços: trabalhos mais pragmáticos garantem estabilidade, enquanto, muitas vezes, fora do horário comercial, momentos ficam reservados para experimentação e projetos autorais.
O maior mito que caiu no caminho foi o da autoconfiança constante, com o aprendizado de que seguir, mesmo sem todas as respostas, é parte do processo. “Empreender não é ser confiante o tempo todo. Eu lido diariamente com insegurança e dúvida”.
Hoje, à frente da Gema Animation, projeto iniciado em 2024 e agora parte do DBShub (se você não conhece, clica aqui para descobrir sobre essa plataforma), Vanessa atua como motion designer há quatro anos e colabora com marcas e agências nacionais e internacionais. Na animação, encontrou um espaço onde design, narrativa e movimento se unem para dar forma à autenticidade.
O conselho que ela daria para si mesma no passado resume bem sua jornada: “Você não precisa ter tudo claro para começar, mas precisa ser honesta consigo mesma durante o caminho”. Mudar de ideia, afinal, não é fraqueza; é inteligência emocional aplicada à vida profissional.
Se você conhece alguém cuja história empreendedora merece ser contada, escreva para contato@grupozumm.com.br
* Miguel El Debs é empresário, Head do DBShub e do LIDE Empreendedor, sócio do Grupo ZK, e conselheiro estratégico com foco em Branding e Marketing.
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