De uma paixão compartilhada pelos discos a um negócio que hoje conecta música e pessoas em Ribeirão Preto
Por Miguel El Debs*
Alguns negócios surgem de uma oportunidade de mercado; outros, de uma necessidade. A Mundo Vinyl nasceu de uma paixão que encontrou uma oportunidade para se transformar em negócio.
Denise Barbosa e Guto Zuccolotto
Denise Barbosa e Guto Zuccolotto já colecionavam LPs, pesquisavam discos e tinham o hábito de ouvir música juntos. Na época, Denise morava em São Sebastião do Paraíso (MG) e Guto, em Ribeirão Preto. A busca era por uma oportunidade de abrir um negócio que também possibilitasse a mudança de Denise para a cidade.
“Com a pandemia, passei a ficar mais tempo em Ribeirão, trabalhando à distância, e o vinil ganhou ainda mais espaço na nossa rotina. Ouvíamos muitos discos, conversávamos sobre música e, naturalmente, começamos a enxergar também o potencial daquele mercado”, lembra Denise.
Foi então que Guto fez o convite que daria origem ao negócio: “Quer ser minha sócia em um e-commerce de vinil?”. Já dá para imaginar a resposta.
Sonhos versus realidade
A Mundo Vinyl começou no digital, mas, desde o início, foi acompanhada pelo sonho da loja física. “Queríamos criar um lugar para quem também entende a música como uma experiência”, explica a fundadora. Contudo, transformar uma paixão em empresa trouxe uma realidade diferente.
Durante um ano, os dois mantiveram seus empregos enquanto tocavam a Mundo Vinyl: Denise cuidava da área financeira de uma empresa de iluminação, e Guto era executivo de uma multinacional.
“Existe uma grande diferença entre ter consciência dos desafios e vivenciá-los na prática.”
– Denise Barbosa
Depois de um ano conciliando as duas atividades, Denise se mudou para Ribeirão e passou a trabalhar exclusivamente na Mundo Vinyl. Mais tarde, veio uma decisão ainda maior: “Ele [Guto] tinha uma carreira consolidada como executivo de multinacional, e decidiu se dedicar exclusivamente ao negócio. Então essa decisão foi muito difícil e arriscada”, conta Denise.
Os dois atravessaram essas fases tomando decisões passo a passo, observando os resultados e ajustando a rota. “Acho que empreender também é isso: em alguns momentos, ter coragem para dar o próximo passo mesmo sem ter todas as respostas”, resume.
Muito além do disco
A identidade da Mundo Vinyl também foi construída aos poucos. Ainda no e-commerce, Denise e Guto entenderam que vender um disco era apenas uma parte da experiência. Assim, a cada pedido, dedicavam vários cuidados, que iam desde plásticos de proteção até cartão, adesivo, brinde e uma mensagem de agradecimento. Depois, ainda veio uma embalagem personalizada, desenvolvida para proteger as capas dos discos. O resultado foi a construção de uma relação que ultrapassou a compra.
“É impressionante como criamos vínculos com pessoas que são nossas clientes há anos e que, às vezes, ainda nem conhecemos pessoalmente. Com algumas, a relação virtual acabou virando amizade”, revela Denise.
Quando a loja física abriu, essa relação ganhou outro significado. Aos sábados, por exemplo, os clientes aparecem para tomar uma cerveja, comer um pão de queijo, olhar as novidades ou simplesmente conversar.
“A loja deixou de ser só um lugar para comprar discos e passou a ser um espaço para as pessoas virem, conversarem sobre música e compartilharem experiências. Foi nesse momento que percebemos que a Mundo Vinyl tinha se tornado algo maior que uma loja. Virou um ponto de encontro de pessoas que têm essa paixão pela música em comum”, explica a empresária.
Uma nova geração descobrindo o vinil
Um dos aprendizados mais interessantes para os sócios foi descobrir que o público do vinil não é formado apenas por quem viveu a época dos LPs. “Quando começamos, já conhecíamos a força do público da nossa idade, que geralmente teve contato com LPs na juventude”, explica Denise. Então, o que surpreendeu foi a presença dos jovens.
“Pessoas na faixa dos 18 anos muitas vezes chegam pelo interesse no vintage, pelo objeto, pela estética e pela experiência de ter um disco. E em vez de os pais apresentarem o vinil aos filhos, muitas vezes são eles que acabam trazendo os pais de volta para esse universo”, conta a fundadora do projeto.
Para eles, isso mostra que o vinil não é apenas nostalgia; é também uma experiência que uma nova geração está descobrindo.
Quando a loja vira palco
Os eventos também ganharam espaço na estratégia da Mundo Vinyl, surgindo da intenção de apresentar a loja ao público de Ribeirão Preto – como funciona em uma casa de bairro e não possui uma vitrine tradicional, ainda é comum alguém perguntar se o espaço está aberto.
Mas, com o tempo, porém, a proposta cresceu. “Queremos contribuir para fortalecer a cena musical da cidade, abrir espaço para DJs e bandas autorais, e fazer da Mundo Vinyl um ponto de encontro acolhedor para a música e para a cultura. Queremos que as pessoas venham para ouvir música, conhecer artistas, encontrar outras pessoas e descobrir novos sons”, afirma Denise, destacando que, embora o disco continue no centro da experiência, ela vai além da compra.
A própria paixão pelo vinil acabou criando novos caminhos. Denise e sua amiga Ana Claudia Ramos, a Aninha, criaram o “Soul Delas”, projeto de discotecagem exclusivamente em vinil, em mais um exemplo de como uma paixão inicial foi se transformando em diferentes possibilidades de negócio, relacionamento e cultura.
O outro lado do disco
Hoje, a Mundo Vinyl está com quase seis anos de e-commerce e dois anos de loja física. E seus números ajudam a explicar a visão dos sócios sobre o futuro. “Isso mostra que a Mundo Vinyl já nasceu com uma vocação que não a limita a um único lugar”.
O objetivo é consolidar a marca nacionalmente, a partir do reconhecimento pela curadoria, experiência e forma como trabalha o vinil. “Mais que simplesmente crescer como loja, estamos construindo uma marca que tenha identidade e relevância no mercado nacional e que também contribua para fortalecer a cultura musical na qual estamos inseridos”, prevê Denise.
E talvez a melhor síntese de tudo o que aprenderam nessa jornada esteja na resposta que dariam para eles mesmos no 1º dia do negócio: “Não tentem ter todas as respostas desde o começo”.
O conselho resume uma trajetória construída muito mais pela capacidade de observar, ouvir, aprender e ajustar que pela tentativa de prever tudo. “Fomos aprendendo na prática, entendendo o público, errando, ajustando e descobrindo possibilidades que nem estavam no nosso plano inicial”, resume Denise.
No fim, a Mundo Vinyl começou vendendo discos. Hoje, vende também encontros, descobertas e experiências. O produto é antigo, mas a forma de criar valor ao redor dele continua se renovando.
Miguel El Debs | Crédito: Érico Andrade
E você, conhece algum empreendedor com uma história que merece ser contada? Se você conhece alguém que superou desafios, mudou de caminho, criou algo diferente ou simplesmente tem uma jornada empreendedora que merece ser ouvida, envie sua sugestão para contato@grupozumm.com.br.
* Miguel El Debs é empresário, head do DBS|Hub e do LIDE Empreendedor, sócio do Grupo ZK, e conselheiro estratégico com foco em Branding e Marketing.
Mundo Vinyl: uma paixão que virou negócio, comunidade e cultura
De uma paixão compartilhada pelos discos a um negócio que hoje conecta música e pessoas em Ribeirão Preto
Por Miguel El Debs*
Alguns negócios surgem de uma oportunidade de mercado; outros, de uma necessidade. A Mundo Vinyl nasceu de uma paixão que encontrou uma oportunidade para se transformar em negócio.
Denise Barbosa e Guto Zuccolotto já colecionavam LPs, pesquisavam discos e tinham o hábito de ouvir música juntos. Na época, Denise morava em São Sebastião do Paraíso (MG) e Guto, em Ribeirão Preto. A busca era por uma oportunidade de abrir um negócio que também possibilitasse a mudança de Denise para a cidade.
“Com a pandemia, passei a ficar mais tempo em Ribeirão, trabalhando à distância, e o vinil ganhou ainda mais espaço na nossa rotina. Ouvíamos muitos discos, conversávamos sobre música e, naturalmente, começamos a enxergar também o potencial daquele mercado”, lembra Denise.
Foi então que Guto fez o convite que daria origem ao negócio: “Quer ser minha sócia em um e-commerce de vinil?”. Já dá para imaginar a resposta.
Sonhos versus realidade
A Mundo Vinyl começou no digital, mas, desde o início, foi acompanhada pelo sonho da loja física. “Queríamos criar um lugar para quem também entende a música como uma experiência”, explica a fundadora. Contudo, transformar uma paixão em empresa trouxe uma realidade diferente.
Durante um ano, os dois mantiveram seus empregos enquanto tocavam a Mundo Vinyl: Denise cuidava da área financeira de uma empresa de iluminação, e Guto era executivo de uma multinacional.
Depois de um ano conciliando as duas atividades, Denise se mudou para Ribeirão e passou a trabalhar exclusivamente na Mundo Vinyl. Mais tarde, veio uma decisão ainda maior: “Ele [Guto] tinha uma carreira consolidada como executivo de multinacional, e decidiu se dedicar exclusivamente ao negócio. Então essa decisão foi muito difícil e arriscada”, conta Denise.
Os dois atravessaram essas fases tomando decisões passo a passo, observando os resultados e ajustando a rota. “Acho que empreender também é isso: em alguns momentos, ter coragem para dar o próximo passo mesmo sem ter todas as respostas”, resume.
Muito além do disco
A identidade da Mundo Vinyl também foi construída aos poucos. Ainda no e-commerce, Denise e Guto entenderam que vender um disco era apenas uma parte da experiência. Assim, a cada pedido, dedicavam vários cuidados, que iam desde plásticos de proteção até cartão, adesivo, brinde e uma mensagem de agradecimento. Depois, ainda veio uma embalagem personalizada, desenvolvida para proteger as capas dos discos. O resultado foi a construção de uma relação que ultrapassou a compra.
“É impressionante como criamos vínculos com pessoas que são nossas clientes há anos e que, às vezes, ainda nem conhecemos pessoalmente. Com algumas, a relação virtual acabou virando amizade”, revela Denise.
Quando a loja física abriu, essa relação ganhou outro significado. Aos sábados, por exemplo, os clientes aparecem para tomar uma cerveja, comer um pão de queijo, olhar as novidades ou simplesmente conversar.
“A loja deixou de ser só um lugar para comprar discos e passou a ser um espaço para as pessoas virem, conversarem sobre música e compartilharem experiências. Foi nesse momento que percebemos que a Mundo Vinyl tinha se tornado algo maior que uma loja. Virou um ponto de encontro de pessoas que têm essa paixão pela música em comum”, explica a empresária.
Uma nova geração descobrindo o vinil
Um dos aprendizados mais interessantes para os sócios foi descobrir que o público do vinil não é formado apenas por quem viveu a época dos LPs. “Quando começamos, já conhecíamos a força do público da nossa idade, que geralmente teve contato com LPs na juventude”, explica Denise. Então, o que surpreendeu foi a presença dos jovens.
“Pessoas na faixa dos 18 anos muitas vezes chegam pelo interesse no vintage, pelo objeto, pela estética e pela experiência de ter um disco. E em vez de os pais apresentarem o vinil aos filhos, muitas vezes são eles que acabam trazendo os pais de volta para esse universo”, conta a fundadora do projeto.
Para eles, isso mostra que o vinil não é apenas nostalgia; é também uma experiência que uma nova geração está descobrindo.
Quando a loja vira palco
Os eventos também ganharam espaço na estratégia da Mundo Vinyl, surgindo da intenção de apresentar a loja ao público de Ribeirão Preto – como funciona em uma casa de bairro e não possui uma vitrine tradicional, ainda é comum alguém perguntar se o espaço está aberto.
Mas, com o tempo, porém, a proposta cresceu. “Queremos contribuir para fortalecer a cena musical da cidade, abrir espaço para DJs e bandas autorais, e fazer da Mundo Vinyl um ponto de encontro acolhedor para a música e para a cultura. Queremos que as pessoas venham para ouvir música, conhecer artistas, encontrar outras pessoas e descobrir novos sons”, afirma Denise, destacando que, embora o disco continue no centro da experiência, ela vai além da compra.
A própria paixão pelo vinil acabou criando novos caminhos. Denise e sua amiga Ana Claudia Ramos, a Aninha, criaram o “Soul Delas”, projeto de discotecagem exclusivamente em vinil, em mais um exemplo de como uma paixão inicial foi se transformando em diferentes possibilidades de negócio, relacionamento e cultura.
O outro lado do disco
Hoje, a Mundo Vinyl está com quase seis anos de e-commerce e dois anos de loja física. E seus números ajudam a explicar a visão dos sócios sobre o futuro. “Isso mostra que a Mundo Vinyl já nasceu com uma vocação que não a limita a um único lugar”.
O objetivo é consolidar a marca nacionalmente, a partir do reconhecimento pela curadoria, experiência e forma como trabalha o vinil. “Mais que simplesmente crescer como loja, estamos construindo uma marca que tenha identidade e relevância no mercado nacional e que também contribua para fortalecer a cultura musical na qual estamos inseridos”, prevê Denise.
E talvez a melhor síntese de tudo o que aprenderam nessa jornada esteja na resposta que dariam para eles mesmos no 1º dia do negócio: “Não tentem ter todas as respostas desde o começo”.
O conselho resume uma trajetória construída muito mais pela capacidade de observar, ouvir, aprender e ajustar que pela tentativa de prever tudo. “Fomos aprendendo na prática, entendendo o público, errando, ajustando e descobrindo possibilidades que nem estavam no nosso plano inicial”, resume Denise.
No fim, a Mundo Vinyl começou vendendo discos. Hoje, vende também encontros, descobertas e experiências. O produto é antigo, mas a forma de criar valor ao redor dele continua se renovando.
E você, conhece algum empreendedor com uma história que merece ser contada? Se você conhece alguém que superou desafios, mudou de caminho, criou algo diferente ou simplesmente tem uma jornada empreendedora que merece ser ouvida, envie sua sugestão para contato@grupozumm.com.br.
* Miguel El Debs é empresário, head do DBS|Hub e do LIDE Empreendedor, sócio do Grupo ZK, e conselheiro estratégico com foco em Branding e Marketing.
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