Sistema de baixo custo e código aberto desenvolvido em Ribeirão Preto permite medir forças aplicadas pelos atletas no momento da largada e oferece feedback em tempo real
A largada é um dos momentos mais decisivos nas provas de corrida de velocidade do atletismo. Milésimos de segundo, a forma de aplicação de força das pernas no bloco de saída, o tempo de reação e a potência inicial podem definir o resultado final de uma prova. No entanto, a análise precisa desse movimento ainda depende, em grande parte, de equipamentos laboratoriais caros, pouco portáteis e inviáveis para uso cotidiano na pista.
A partir dessa lacuna, pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Reabilitação e Desempenho Funcional da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP desenvolveram uma tecnologia voltada ao treinamento esportivo de alto rendimento: o taco de partida instrumentado, que mede, em tempo real, a força aplicada pelos atletas no momento da largada e fornece feedback para treinadores e equipes.
Bases da ferramenta
O sistema foi desenvolvido como parte da tese de doutorado de Moser Zeferino Vicente José, com orientação do professor Paulo Roberto Pereira Santiago, da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da USP, em parceria com as equipes olímpicas e paralímpicas de atletismo do Sesi.
O dispositivo, denominado Taco de Partida Instrumentado IoT (sigla em inglês para “Internet das Coisas”), adapta um bloco de partida tradicional a esse conceito de Internet das Coisas – rede de dispositivos físicos conectados à internet, equipados com sensores e softwares capazes de coletar e transmitir dados de forma autônoma. A proposta é transformar um equipamento comum da pista em uma ferramenta tecnológica acessível para análise do desempenho esportivo.
Dispositivo que mede largada no atletismo | Crédito: Felipe Medeiros/Jornal da USP
Segundo o professor Santiago, tecnologias semelhantes já existem no mercado, mas apresentam limitações importantes. “Soluções instrumentadas para análise da largada já estão disponíveis internacionalmente, porém com custos elevados. Além disso, são tecnologias importadas que, em muitos casos, não geram produção científica local. A proposta deste projeto foi desenvolver uma solução aberta, com acesso aos dados brutos, permitindo tanto o uso prático quanto a geração de conhecimento”.
Inovação e aplicação
Um dos principais diferenciais da tecnologia é a possibilidade de uso direto no ambiente de treinamento, fora do laboratório. “Apesar de envolver sensores, microcontroladores e processamento de dados, a proposta foi tornar a tecnologia acessível e aplicável no cotidiano da pista, permitindo que treinadores e atletas utilizem o sistema de forma prática”, ressalta Santiago.
Para a treinadora da equipe de atletismo do Sesi, Maria Rosana Soares, a ferramenta representa um avanço importante no acompanhamento do desempenho dos atletas. “A análise de dados permite trabalhar diretamente aspectos como tempo de reação e força aplicada no bloco. Se o atleta não estiver empurrando adequadamente o bloco, isso aparece claramente nos dados, o que facilita ajustes específicos no treinamento”.
O atleta Erik Felipe Barbosa Cardoso, que detém o recorde brasileiro e sul-americano da prova dos 100 metros, também destaca a importância do equipamento para as provas de velocidade. “Na corrida de velocidade, a saída do bloco faz muita diferença. Com esse sistema, conseguimos visualizar a força aplicada e o tempo de reação. A tecnologia mostra onde estão os erros e ajuda os treinadores a planejarem treinos mais direcionados para melhorar esses pontos”.
O taco de partida instrumentado já foi testado com atletas do Sesi, mas ainda passa por ajustes finais antes da entrega definitiva à equipe, prevista para março de 2026. Os dados coletados também serão utilizados em futuras pesquisas na USP, incluindo projetos de iniciação científica, como o desenvolvido pelo aluno da EEFERP Jhonatan Pereira Azevedo, ampliando o impacto científico e social da tecnologia.
Novo sistema acessível analisa desempenho de atletas no momento da largada
Sistema de baixo custo e código aberto desenvolvido em Ribeirão Preto permite medir forças aplicadas pelos atletas no momento da largada e oferece feedback em tempo real
A largada é um dos momentos mais decisivos nas provas de corrida de velocidade do atletismo. Milésimos de segundo, a forma de aplicação de força das pernas no bloco de saída, o tempo de reação e a potência inicial podem definir o resultado final de uma prova. No entanto, a análise precisa desse movimento ainda depende, em grande parte, de equipamentos laboratoriais caros, pouco portáteis e inviáveis para uso cotidiano na pista.
A partir dessa lacuna, pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Reabilitação e Desempenho Funcional da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP desenvolveram uma tecnologia voltada ao treinamento esportivo de alto rendimento: o taco de partida instrumentado, que mede, em tempo real, a força aplicada pelos atletas no momento da largada e fornece feedback para treinadores e equipes.
Bases da ferramenta
O sistema foi desenvolvido como parte da tese de doutorado de Moser Zeferino Vicente José, com orientação do professor Paulo Roberto Pereira Santiago, da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da USP, em parceria com as equipes olímpicas e paralímpicas de atletismo do Sesi.
O dispositivo, denominado Taco de Partida Instrumentado IoT (sigla em inglês para “Internet das Coisas”), adapta um bloco de partida tradicional a esse conceito de Internet das Coisas – rede de dispositivos físicos conectados à internet, equipados com sensores e softwares capazes de coletar e transmitir dados de forma autônoma. A proposta é transformar um equipamento comum da pista em uma ferramenta tecnológica acessível para análise do desempenho esportivo.
Segundo o professor Santiago, tecnologias semelhantes já existem no mercado, mas apresentam limitações importantes. “Soluções instrumentadas para análise da largada já estão disponíveis internacionalmente, porém com custos elevados. Além disso, são tecnologias importadas que, em muitos casos, não geram produção científica local. A proposta deste projeto foi desenvolver uma solução aberta, com acesso aos dados brutos, permitindo tanto o uso prático quanto a geração de conhecimento”.
Inovação e aplicação
Um dos principais diferenciais da tecnologia é a possibilidade de uso direto no ambiente de treinamento, fora do laboratório. “Apesar de envolver sensores, microcontroladores e processamento de dados, a proposta foi tornar a tecnologia acessível e aplicável no cotidiano da pista, permitindo que treinadores e atletas utilizem o sistema de forma prática”, ressalta Santiago.
Para a treinadora da equipe de atletismo do Sesi, Maria Rosana Soares, a ferramenta representa um avanço importante no acompanhamento do desempenho dos atletas. “A análise de dados permite trabalhar diretamente aspectos como tempo de reação e força aplicada no bloco. Se o atleta não estiver empurrando adequadamente o bloco, isso aparece claramente nos dados, o que facilita ajustes específicos no treinamento”.
O atleta Erik Felipe Barbosa Cardoso, que detém o recorde brasileiro e sul-americano da prova dos 100 metros, também destaca a importância do equipamento para as provas de velocidade. “Na corrida de velocidade, a saída do bloco faz muita diferença. Com esse sistema, conseguimos visualizar a força aplicada e o tempo de reação. A tecnologia mostra onde estão os erros e ajuda os treinadores a planejarem treinos mais direcionados para melhorar esses pontos”.
O taco de partida instrumentado já foi testado com atletas do Sesi, mas ainda passa por ajustes finais antes da entrega definitiva à equipe, prevista para março de 2026. Os dados coletados também serão utilizados em futuras pesquisas na USP, incluindo projetos de iniciação científica, como o desenvolvido pelo aluno da EEFERP Jhonatan Pereira Azevedo, ampliando o impacto científico e social da tecnologia.
* Com informações do Jornal da USP
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