A tendência se resume a um estilo de vida voltado para a presença, a profundidade e a qualidade das conexões humanas. Segundo quem a vive, é tudo sobre intenção!
A vida adulta é claramente feita de responsabilidades cumulativas, as quais, conforme vamos envelhecendo – ou nos tornando “adultos premium plus”, como diria a Gen Z –, vão aumentando e deixando a vida fica cada vez mais corrida, em um processo que se retroalimenta.
Esse movimento de aceleração, apesar de natural, se escalado com muita velocidade, tende a provocar um sentimento de anestesia em relação à própria vida ou resultar em casos de esgotamento, como episódios de burnout, por exemplo.
Para dar uma noção do quadro, dados do Ministério da Previdência Social, obtidos pelo g1, revelaram que os afastamentos por burnout cresceram 823% em quatro anos. Só em 2025, foram concedidos 7.595 benefícios contra os 823 em 2021 – todos por incapacidade temporária por esgotamento profissional.
Apesar disso, tem crescido também um movimento, presente principalmente nas redes sociais, chamado slow living, que em tradução literal significa “vida lenta”. Na prática, a tendência se resume a um estilo de vida voltado à presença, a profundidade e a qualidade das conexões humanas. Ou seja, é tudo sobre intenção!
Quem vive, explica!
Beatriz Gerlack | Créditos: arquivo pessoal
Para a empresária e fundadora da agência Bridge+55, Beatriz Gerlack, que possui anos de experiência no mercado de luxo nacional e internacional, a tendência do slow living é um novo símbolo de status.
“Durante muitos anos, o luxo esteve associado ao excesso, à velocidade e à ostentação. Hoje, porém, existe uma mudança muito clara no comportamento das pessoas de alta renda: elas não querem apenas consumir melhor; elas querem viver melhor”, destaca a empresária.
Ela também esclarece que a mudança de comportamento é um reflexo da urgência que tem regido o mundo e que o verdadeiro luxo passou a ser aquilo que o dinheiro não compra facilmente, ou seja, o tempo, a presença e o silêncio.
Seguindo esse raciocínio, o slow living se tornou símbolo de status graças a sua similaridade com a proposta do slow luxury, que valoriza profundidade, autenticidade e permanência.
Ainda de acordo com a empresária, o slow luxury é menos impulsivo e mais consciente. Nele, estão marcas que respeitam o tempo de criação, o artesanal, a excelência silenciosa e a experiência genuína. Não à toa as marcas mais desejadas atualmente são aquelas que conseguem oferecer experiências humanas, raras e significativas.
“Existe uma busca crescente por viagens mais imersivas, gastronomia autoral, produtos feitos à mão, bem-estar emocional e relações mais humanas. O consumidor de luxo hoje quer conexão e não apenas consumo.”
Outra tendência que se assemelha às duas já citadas, é a quiet luxury, que apesar do nome parecido, não possui o mesmo significado. Esta, segundo Beatriz, está muito ligada à estética da discrição: são “peças sem logos aparentes, sofisticação silenciosa e elegância minimalista”. Já o slow luxury vai além da aparência e fala sobre ritmo de vida, intenção e qualidade emocional das escolhas.
Resumindo: “alguém pode vestir quiet luxury sem viver o slow luxury”.
Parafraseando a empresária: o luxo contemporâneo está na escolha de onde colocar sua atenção, com quem dividir seu tempo e quais experiências realmente fazem sentido.
“No fim, talvez o maior símbolo de luxo da nossa geração seja justamente poder viver sem pressa.”
– Beatriz Gerlack
Para servir de inspiração a quem deseja aderir ao movimento, o Portal Zumm chamou a profissional de marketing e influenciadora Manuela Blanco Berça Balbo, e a também criadora de conteúdo Mayara Ugucione, para compartilhar conosco como o slow living tem transformado suas rotinas.
O valor da origem
“Durante muito tempo, eu vivi em um ritmo mais acelerado. Gostava de estar envolvida em vários projetos ao mesmo tempo – criar, desenvolver ideias, conectar pessoas e transformar experiências. O trabalho sempre foi uma parte importante de quem eu sou, e continua sendo até hoje. Mas, depois do meu casamento, de uma nova família se formando, comecei a perceber uma mudança muito natural na forma como eu enxergava a vida.
Manuela e o marido GustavoDetalhes da rotina
Construir uma vida a dois me fez olhar mais para dentro. Pela 1ª vez, comecei a prestar atenção em coisas que antes passavam despercebidas na correria do dia a dia: a casa, a rotina, o tempo compartilhado e a sensação de pertencimento que existe quando estamos exatamente onde gostaríamos de estar.
Curiosamente, esse movimento também me reconectou com a minha infância. Quando penso nas minhas melhores lembranças, quase todas têm algo em comum: a casa (seja dos meus pais ou dos meus avós). O acolhimento, as reuniões em família, as idas à fazenda, a mesa posta, a decoração, os detalhes preparados com carinho. Era um ambiente que transmitia conforto e bem-estar, e hoje percebo que grande parte daquilo que gosto nasceu dessas referências.
Talvez por isso eu tenha passado a valorizar tanto esse universo. Cuidar da nossa casa, criar ambientes 100% conectados ao que nós amamos, participar da decoração da fazenda da minha mãe e acompanhar mais de perto a rotina e os projetos do meu marido (como andar mais a cavalo), foram experiências que me aproximaram muito da minha essência. São atividades simples, mas que me trazem uma sensação genuína de presença.
Ao mesmo tempo, comecei a fazer uma seleção mais consciente do meu trabalho. Não porque deixei de gostar de trabalhar, muito pelo contrário. Continuo apaixonada pelo que faço e extremamente dedicada aos meus projetos. A diferença é que hoje escolho melhor onde coloco minha energia, trabalhando com pessoas, marcas e ideias que realmente fazem sentido para mim e para a vida que quero construir.
ManuelaMomentos de lazer
Também passei a me permitir viver mais experiências fora da rotina. Viajar, por exemplo, se tornou uma das minhas maiores fontes de inspiração. É observando lugares, culturas, arquiteturas, hotéis, paisagens e pequenos detalhes que muitas das minhas ideias surgem. Com o tempo, entendi que criatividade não nasce apenas do trabalho, ela nasce da vivência. Um exemplo disso foi nossa lua de mel, que fomos para lugares conectados com a origem de cada linhagem familiar.
“Não vejo o slow living como fazer menos. Vejo como fazer com mais intenção.”
Foi nesse processo que reaproximei também de atividades mais manuais e contemplativas, como o bordado, a cerâmica, a vida no campo e os momentos ao ar livre. Coisas que me ajudam a desacelerar e a estar verdadeiramente presente.
Vivemos em uma época em que tudo parece estar conectado o tempo inteiro, mas muitas vezes nos sentimos cada vez mais distantes de nós mesmos. Para mim, o slow living surgiu justamente como um retorno. Um retorno àquilo que me faz bem, às minhas referências, aos meus valores e à forma como quero viver. É escolher com mais cuidado onde investir o tempo, a atenção e a energia. É entender que nem sempre crescer significa acelerar; às vezes, crescer significa criar espaço para aquilo que realmente importa.
E foi exatamente nesse espaço que eu encontrei uma versão mais leve, mais presente e mais verdadeira de mim mesma.”
Mayara Ugucione
Mayara Ugucione | Créditos: arquivo pessoal
“Eu sou a maior defensora de uma slow morning na face da terra. Claro que depois de ter filhos, talvez esse momento só aconteça depois de deixá-los na escola (risos). Como tenho o privilégio de ter um marido que o leva, assim que eles saem de casa, inicio o ritual. Faço meu café com leite de aveia com todo cuidado, escolho uma xícara bonita, me agarro ao livro da vez e tomo meu café com toda calma, ignorando completamente o caos antecedido. Celular, só depois das oito! Esse pequeno gesto muda meu dia.
Atualmente, inclusive, aderi ao aplicativo ‘Opal’, que bloqueia durante período pré-determinado o acesso a aplicativos de distração selecionados pelo usuário. No meu caso, as redes sociais, onde trabalho se mistura ao lazer e, confesso, não me orgulho nem um pouco, do tempo que eu gasto ali.
Tenho buscado cada vez mais estar presente no momento. Me desafiando a lidar com o tédio quando estou aguardando um compromisso ou até mesmo com o ócio (que julgo importantíssimo). Para mim, o grande desafio da atualidade é esse: desacelerar e viver o presente.
Nesse ponto, a maternidade me foi crucial. Por vezes, me pego presente naquele momento e me esqueço até de registrar para posteridade. Que delícia poder ter um momento vivo somente na memória! Prova abstrata de um momento bem vivido.
Apesar de ser super conectada, tenho buscado a cada dia mais, uma vida analógica. Lendo livros (velho hábito), fazendo bolos, escrevendo com papel e caneta… estamos até mesmo em busca de uma câmera para registrar os momentos sem necessariamente precisar do celular.”.
Slow living se torna símbolo de luxo e convida à desaceleração
A tendência se resume a um estilo de vida voltado para a presença, a profundidade e a qualidade das conexões humanas. Segundo quem a vive, é tudo sobre intenção!
A vida adulta é claramente feita de responsabilidades cumulativas, as quais, conforme vamos envelhecendo – ou nos tornando “adultos premium plus”, como diria a Gen Z –, vão aumentando e deixando a vida fica cada vez mais corrida, em um processo que se retroalimenta.
Esse movimento de aceleração, apesar de natural, se escalado com muita velocidade, tende a provocar um sentimento de anestesia em relação à própria vida ou resultar em casos de esgotamento, como episódios de burnout, por exemplo.
Para dar uma noção do quadro, dados do Ministério da Previdência Social, obtidos pelo g1, revelaram que os afastamentos por burnout cresceram 823% em quatro anos. Só em 2025, foram concedidos 7.595 benefícios contra os 823 em 2021 – todos por incapacidade temporária por esgotamento profissional.
Apesar disso, tem crescido também um movimento, presente principalmente nas redes sociais, chamado slow living, que em tradução literal significa “vida lenta”. Na prática, a tendência se resume a um estilo de vida voltado à presença, a profundidade e a qualidade das conexões humanas. Ou seja, é tudo sobre intenção!
Quem vive, explica!
Para a empresária e fundadora da agência Bridge+55, Beatriz Gerlack, que possui anos de experiência no mercado de luxo nacional e internacional, a tendência do slow living é um novo símbolo de status.
“Durante muitos anos, o luxo esteve associado ao excesso, à velocidade e à ostentação. Hoje, porém, existe uma mudança muito clara no comportamento das pessoas de alta renda: elas não querem apenas consumir melhor; elas querem viver melhor”, destaca a empresária.
Ela também esclarece que a mudança de comportamento é um reflexo da urgência que tem regido o mundo e que o verdadeiro luxo passou a ser aquilo que o dinheiro não compra facilmente, ou seja, o tempo, a presença e o silêncio.
Seguindo esse raciocínio, o slow living se tornou símbolo de status graças a sua similaridade com a proposta do slow luxury, que valoriza profundidade, autenticidade e permanência.
Ainda de acordo com a empresária, o slow luxury é menos impulsivo e mais consciente. Nele, estão marcas que respeitam o tempo de criação, o artesanal, a excelência silenciosa e a experiência genuína. Não à toa as marcas mais desejadas atualmente são aquelas que conseguem oferecer experiências humanas, raras e significativas.
Outra tendência que se assemelha às duas já citadas, é a quiet luxury, que apesar do nome parecido, não possui o mesmo significado. Esta, segundo Beatriz, está muito ligada à estética da discrição: são “peças sem logos aparentes, sofisticação silenciosa e elegância minimalista”. Já o slow luxury vai além da aparência e fala sobre ritmo de vida, intenção e qualidade emocional das escolhas.
Resumindo: “alguém pode vestir quiet luxury sem viver o slow luxury”.
Parafraseando a empresária: o luxo contemporâneo está na escolha de onde colocar sua atenção, com quem dividir seu tempo e quais experiências realmente fazem sentido.
Para servir de inspiração a quem deseja aderir ao movimento, o Portal Zumm chamou a profissional de marketing e influenciadora Manuela Blanco Berça Balbo, e a também criadora de conteúdo Mayara Ugucione, para compartilhar conosco como o slow living tem transformado suas rotinas.
O valor da origem
“Durante muito tempo, eu vivi em um ritmo mais acelerado. Gostava de estar envolvida em vários projetos ao mesmo tempo – criar, desenvolver ideias, conectar pessoas e transformar experiências. O trabalho sempre foi uma parte importante de quem eu sou, e continua sendo até hoje. Mas, depois do meu casamento, de uma nova família se formando, comecei a perceber uma mudança muito natural na forma como eu enxergava a vida.
Construir uma vida a dois me fez olhar mais para dentro. Pela 1ª vez, comecei a prestar atenção em coisas que antes passavam despercebidas na correria do dia a dia: a casa, a rotina, o tempo compartilhado e a sensação de pertencimento que existe quando estamos exatamente onde gostaríamos de estar.
Curiosamente, esse movimento também me reconectou com a minha infância. Quando penso nas minhas melhores lembranças, quase todas têm algo em comum: a casa (seja dos meus pais ou dos meus avós). O acolhimento, as reuniões em família, as idas à fazenda, a mesa posta, a decoração, os detalhes preparados com carinho. Era um ambiente que transmitia conforto e bem-estar, e hoje percebo que grande parte daquilo que gosto nasceu dessas referências.
Talvez por isso eu tenha passado a valorizar tanto esse universo. Cuidar da nossa casa, criar ambientes 100% conectados ao que nós amamos, participar da decoração da fazenda da minha mãe e acompanhar mais de perto a rotina e os projetos do meu marido (como andar mais a cavalo), foram experiências que me aproximaram muito da minha essência. São atividades simples, mas que me trazem uma sensação genuína de presença.
Ao mesmo tempo, comecei a fazer uma seleção mais consciente do meu trabalho. Não porque deixei de gostar de trabalhar, muito pelo contrário. Continuo apaixonada pelo que faço e extremamente dedicada aos meus projetos. A diferença é que hoje escolho melhor onde coloco minha energia, trabalhando com pessoas, marcas e ideias que realmente fazem sentido para mim e para a vida que quero construir.
Também passei a me permitir viver mais experiências fora da rotina. Viajar, por exemplo, se tornou uma das minhas maiores fontes de inspiração. É observando lugares, culturas, arquiteturas, hotéis, paisagens e pequenos detalhes que muitas das minhas ideias surgem. Com o tempo, entendi que criatividade não nasce apenas do trabalho, ela nasce da vivência. Um exemplo disso foi nossa lua de mel, que fomos para lugares conectados com a origem de cada linhagem familiar.
Foi nesse processo que reaproximei também de atividades mais manuais e contemplativas, como o bordado, a cerâmica, a vida no campo e os momentos ao ar livre. Coisas que me ajudam a desacelerar e a estar verdadeiramente presente.
Vivemos em uma época em que tudo parece estar conectado o tempo inteiro, mas muitas vezes nos sentimos cada vez mais distantes de nós mesmos. Para mim, o slow living surgiu justamente como um retorno. Um retorno àquilo que me faz bem, às minhas referências, aos meus valores e à forma como quero viver. É escolher com mais cuidado onde investir o tempo, a atenção e a energia. É entender que nem sempre crescer significa acelerar; às vezes, crescer significa criar espaço para aquilo que realmente importa.
E foi exatamente nesse espaço que eu encontrei uma versão mais leve, mais presente e mais verdadeira de mim mesma.”
Mayara Ugucione
“Eu sou a maior defensora de uma slow morning na face da terra. Claro que depois de ter filhos, talvez esse momento só aconteça depois de deixá-los na escola (risos). Como tenho o privilégio de ter um marido que o leva, assim que eles saem de casa, inicio o ritual. Faço meu café com leite de aveia com todo cuidado, escolho uma xícara bonita, me agarro ao livro da vez e tomo meu café com toda calma, ignorando completamente o caos antecedido. Celular, só depois das oito! Esse pequeno gesto muda meu dia.
Atualmente, inclusive, aderi ao aplicativo ‘Opal’, que bloqueia durante período pré-determinado o acesso a aplicativos de distração selecionados pelo usuário. No meu caso, as redes sociais, onde trabalho se mistura ao lazer e, confesso, não me orgulho nem um pouco, do tempo que eu gasto ali.
Tenho buscado cada vez mais estar presente no momento. Me desafiando a lidar com o tédio quando estou aguardando um compromisso ou até mesmo com o ócio (que julgo importantíssimo). Para mim, o grande desafio da atualidade é esse: desacelerar e viver o presente.
Nesse ponto, a maternidade me foi crucial. Por vezes, me pego presente naquele momento e me esqueço até de registrar para posteridade. Que delícia poder ter um momento vivo somente na memória! Prova abstrata de um momento bem vivido.
Apesar de ser super conectada, tenho buscado a cada dia mais, uma vida analógica. Lendo livros (velho hábito), fazendo bolos, escrevendo com papel e caneta… estamos até mesmo em busca de uma câmera para registrar os momentos sem necessariamente precisar do celular.”.
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