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Graziella Giannetti | Crédito: Érico Andrade
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Moda à prova de tendências

By Mariana Campos on 17 de setembro de 2026

Com a essência que fortalece uma linguagem construída com autenticidade, elegância e atemporalidade, a estilista Graziella Giannetti revela como o amor pelo vestir se tornou propósito de vida

Uma trajetória que nasceu da arte. Assim, Graziella Giannetti define sua 1ª conexão com a moda. Desde criança, a estilista teve a pintura como parte de sua rotina e foi esse contato com os pincéis que despertou seu olhar para as cores, as proporções e a composição.

A lição já vinha de casa: sua mãe também valorizava muito o vestir. “Escolhíamos juntas os modelos e os tecidos das roupas que seriam confeccionadas, e esse contato tão natural com a criação despertou, ainda muito cedo, minha sensibilidade para a moda”, lembra a designer, que, mais tarde, decidiu cursar Design na Faculdade de Belas Artes de São Paulo, já que sempre foi fascinada pelo processo criativo.

Graziella Giannetti | Crédito: Érico Andrade
Graziella Giannetti | Fotos: Érico Andrade

Ao longo dessa trajetória, também se enveredou pelo desenho de joias: criava cada peça, desenvolvia os esboços e contava com um ourives para transformá-las em realidade. Depois, apresentava e vendia essas joias – eis a sua primeira experiência empreendendo a partir da criação. “Sempre desenhei e confeccionei as roupas que vestia porque buscava peças que refletissem com mais precisão a minha identidade. Até que uma conhecida, proprietária de duas lojas em Portugal – uma em Lisboa e outra em Cascais – se encantou pelos vestidos que eu criava para mim e me fez um convite inesperado: levar aquelas peças para o mercado português”, conta, orgulhosa.

E assim foi. Durante alguns anos, suas criações foram exportadas para Portugal, até que, ao ter o projeto interrompido pela pandemia, ela percebeu que aquilo que começou de maneira tão natural havia se constituído como uma marca. “A Graziella Giannetti Brand nasceu como uma consequência muito natural da minha trajetória. Em determinado momento, percebi que aquilo que eu criava já tinha identidade suficiente para ganhar vida própria”. Segundo a estilista, apesar dos desafios, aquele tempo também representou um importante momento de reflexão e amadurecimento, fortalecendo ainda mais a certeza sobre o caminho que ela queria seguir.

Um novo momento

Em 2022, a marca iniciou um novo capítulo no Brasil, começando por Piracicaba, cidade natal de Graziella. Mais que um recomeço, ela lembra que foi a oportunidade de consolidar sua identidade, aproximando-se ainda das mulheres que compartilham os valores de sua essência. “A mulher que se identifica com a Graziella Giannetti valoriza autenticidade. Ela não escolhe uma roupa apenas pela tendência do momento, mas porque reconhece nela uma forma de expressar quem é”, destaca.

Ela pontua que a mulher que veste suas peças também aprecia qualidade, modelagem e caimento, além de buscar uma elegância de forma natural, sem excessos e entendendo que o verdadeiro luxo está naquilo que permanece atual mesmo com o passar do tempo.

Graziella Giannetti | Crédito: Érico Andrade

Ou seja, para a empresária, sua cliente procura uma criação com identidade, que acompanhe diferentes momentos da sua vida e reflita sua personalidade com sofisticação e leveza. “Vejo o consumo consciente como uma mudança de comportamento. As pessoas estão cada vez mais interessadas em compreender a origem das peças, a qualidade dos materiais, o tempo dedicado à sua construção e o valor de adquirir algo pensado para permanecer”.

Graziella também acredita que o upcycling não é apenas uma técnica de criação e, por isso, faz parte da essência de seu trabalho. Muitas das suas criações nascem a partir do reaproveitamento de sedas e outros tecidos naturais de alta qualidade, cuidadosamente selecionados e ressignificados por meio de um processo autoral.

De acordo com a estilista, essa é uma forma de valorizar matérias-primas nobres, reduzir desperdícios e reafirmar o compromisso da marca com uma moda mais responsável. “Para mim, sustentabilidade vai além do reaproveitamento de materiais. Ela está na escolha consciente de tecidos naturais, no respeito aos recursos naturais e na criação de peças atemporais, feitas para atravessar o tempo”.

Dessa forma, analisa que, quando uma roupa permanece relevante por muitos anos, também representa uma forma mais consciente de consumir, o que a faz optar por não desenvolver roupas pensando em estações (coleções sazonais) e mirar na exclusividade. “Muitas criações nascem de forma muito intuitiva e, não raro, sou a 1ª a vesti-las. Quando uma mulher se identifica com uma peça, ela pode ser recriada respeitando suas medidas e particularidades. Não parto de uma padronização rígida de tamanhos: para mim, o mais importante é que a roupa encontre o corpo da mulher e tenha o caimento certo”.

“Acredito que a elegância não está apenas no que se vê. Está no que permanece. Por isso, não desenvolvo coleções sazonais.”

– Graziella Giannetti

Fonte de inspiração

Sobre a origem de sua inspiração para produtos tão autorais, Graziella revela que as fontes são variadas: viagens, arquitetura, arte e as próprias experiências que vive. Ela acredita que a criatividade nasce daquilo que nos toca, como uma paisagem, uma obra de arte, uma textura, uma cor ou um detalhe inesperado podem despertar uma nova ideia.

Mas o momento mais importante de seu processo criativo acontece quando o tecido chega ao ateliê. É aí que a criação realmente começa. “Gosto de sentir o tecido no corpo, observar seu caimento e entender como ele se movimenta. Eu literalmente me enrolo no tecido, vou puxando de um lado, ajustando do outro, experimentando possibilidades. Claro que acompanho o universo da moda, pesquiso tendências, cores e movimentos do mercado, porque acredito que é importante estar conectada ao que acontece. Mas isso não determina o que eu crio”.

Na hora de se vestir, Graziella conta que escolhe peças atemporais, com bom caimento, tecidos de qualidade e que traduzam quem ela é, sem a necessidade de exagerar ou de seguir todas as tendências. “Tenho admiração por mulheres que envelhecem com elegância, confiança e naturalidade, porque mostram que estilo e beleza não têm relação com idade, mas com identidade”.

Além do ateliê

A paixão pelas viagens e pelas caminhadas de longa distância dividem espaço com o ateliê da estilista que já percorreu o Caminho de Santiago duas vezes e agora se prepara para fazer a Via Francigena, entre a Suíça e a Itália. “Caminhar durante tantos dias é muito mais que uma viagem. É um exercício de reflexão, superação e de conexão com a natureza, com as pessoas e principalmente comigo mesma. Ao longo do caminho, aprendemos a valorizar as pequenas coisas, pois são as experiências que transformam o olhar e, de forma muito natural, também alimentam a minha criatividade”.

Graziella Giannetti | Crédito: Érico Andrade

Depois de semanas caminhando, Graziella diz que volta com a sensação de que desacelerou por dentro e que isso se reflete na forma como cria, dando-lhe mais sensibilidade, atenção aos detalhes e respeito ao tempo de cada processo. “Sempre digo que não vou fazer outra caminhada. Mas passa um tempo e já começo a sonhar com o próximo caminho. Acho que quem vive essa experiência entende exatamente do que estou falando”, compartilha.

A beleza da maturidade

Graziella Giannetti | Crédito: Érico Andrade

A mulher passa por muitas fases durante a vida, mas é na maturidade em que ela encontra sabedoria e experiência. Será mesmo? Como fica a autoestima nesse período Beleza tem prazo de validade? A respeito de tantas questões quase existenciais, Grazi reflete que a beleza se transforma e que, após os seus 50 anos, descobriu uma lberdade que não tinha antes. “É claro que a gente sente falta da pele e de outras características da juventude. É difícil aceitar as mudanças, mas, em compensação, existe algo mais que chega com a maturidade: a segurança de você saber quem você é”.

Segundo a estilista, o processo de descoberta dessa “beleza na maturidade” é demorado, contudo faz com que, hoje, se sinta uma mulher muito mais interessante, confiante e consciente de suas escolhas. “Lógico que a gente quer continuar sendo bonita, mas chega uma hora que a beleza deixa de ser só a aparência e passa a estar na postura, na forma como você ocupa os espaços, no que você transmite”.

Para a empresária, o processo de envelhecer deve ser visto como uma celebração da vida, não como uma perda de juventude. “Admiro muito uma mulher elegante. Ela transmite muito sem querer aparecer. Após os 50, nos encontramos na autenticidade, na simplicidade e na confiança do nosso tempo. Sempre digo que a mulher não precisa gritar para ser inesquecível”, define.

“Se pudesse deixar uma mensagem para as mulheres, independentemente da fase da vida delas, diria que a elegância não tem relação com a idade, mas com a postura. O luxo está nos detalhes, na qualidade e, principalmente, na presença”.

– Graziella Giannetti

Posted in Destaques Capa, Moda, Moda.
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