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Central Contemporânea | Crédito: Vinicius Lopes
Cultura

Artistas de Ribeirão transformam casa de 1930 em espaço independente de arte

By Redação Zumm on 17 de outubro de 2026

Recém-inaugurada na região central da cidade, a Central Contemporânea começa as atividades com uma exposição sobre censura e liberdade artística

Uma casa construída há quase um século no centro histórico de Ribeirão Preto abre as portas para novas formas de criação, reflexão e experimentação artística. A cidade acaba de ganhar a “Central Contemporânea”, espaço independente que nasce como uma ocupação coletiva de ateliês e ambiente expositivo. Sua inauguração é marcada pela abertura do projeto “Arde Outra Vez”, idealizado por Élcio Miazaki, que propõe uma reflexão sobre censura, autocensura e liberdade de expressão na arte.

A Central tem a gestão compartilhada por Yolanda Cipriano, arquiteta, urbanista, artista visual e curadora; o arte-educador Felipe Pitt; e o artista plástico e poeta Thiago Klumb. O objetivo do trio é desenvolver um espaço de convivência entre diferentes práticas artísticas, produção autoral e intercâmbio de ideias, além de ampliar as possibilidades de ocupação cultural do centro da cidade, ao transformar uma residência histórica em ambiente de criação contemporânea.

Felipe Pitt, Yolanda Cipriano e Thiago Klumb, gestores da Central Contemporânea | Crédito: Vinicius Lopes
Felipe Pitt, Yolanda Cipriano e Thiago Klumb, gestores da Central Contemporânea | Crédito: Vinícius Lopes

“Abrir um espaço de arte contemporânea em um casarão da década de 1930 no centro de Ribeirão Preto é um encontro poderoso entre memória urbana e criação atual”, destaca Yolanda.

O casarão histórico

A escolha do imóvel faz parte da identidade do espaço. Construído entre 1925 e 1930, o casarão preserva elementos originais que revelam características da arquitetura residencial daquela época.

“Essa fusão valoriza o patrimônio histórico ao mesmo tempo em que oxigena a região central da cidade com novas experiências culturais e debates artísticos.”

— Yolanda Cipriano

Após passar por reforma em 2019, o imóvel manteve detalhes que conferem personalidade aos ambientes, como os pisos de ladrilho hidráulico com composições geométricas, tacos de madeira nos quartos e as portas e janelas de cedro e peroba-rosa. Os guarda-roupas revestidos com lâmina de imbuia, a iluminação natural de um dos banheiros por blocos de vidro decorado e a escada de granilite com madrepérola completam o conjunto de elementos preservados.

Nesse cenário, a arquitetura, os materiais e as marcas do tempo integram a experiência de quem visita as exposições e os ateliês. “Ao receber a produção artística contemporânea sem apagar as características originais da construção, a Central estabelece uma relação entre memória e criação, reforçando o potencial de imóveis históricos como espaços vivos de cultura”, afirma Thiago.

Exposição inaugural

A arte como forma de resistência e instrumento de reflexão sobre a liberdade de expressão é o ponto de partida de “Arde Outra Vez”, projeto idealizado pelo artista visual Élcio Miazaki, com participação de Andréa Eichenberger, Guta Galli, Marcelo Amorim, Patrícia Paixão, Renan Marcondes, Tales Frey e Wagner Schwartz. A mostra reúne produções que discutem experiências de censura, autocensura e outras formas de silenciamento no campo artístico.

A mostra ribeirão-pretana integra um projeto mais amplo, denominado “Corpo de Prova”, concebido por Élcio como uma exposição expandida. “Em vez de se limitar a uma mostra itinerante tradicional, a proposta se desdobra em diferentes espaços independentes, estabelecendo diálogos entre artistas, instituições e públicos de diferentes cidades”, comenta.

Arte de Élcio Miazaki que integra a mostra de inauguração da Central Contemporânea | Crédito: Divulgação
Arte de Élcio Miazaki que integra a mostra de inauguração
Andréa Eichenberger integra a mostra Arde Outra Vez, que reúne artistas cujos trabalhos enfrentaram diferentes formas de violência, censura, silenciamento e impedimento | Crédito: Divulgação
Andréa Eichenberger integra a mostra
Wagner Schwartz é um dos artistas que participam da mostra Arde Outra Vez | Crédito: Renan Marcondes
Wagner Schwartz é outro artista que participa de “Arde Outra Vez” | Crédito: Renan Marcondes

A exposição dá continuidade a uma investigação artística que aborda as relações entre imagem, poder, violência e os legados da ditadura civil-militar brasileira. A trajetória recente do projeto também é marcada por um episódio de censura em Ouro Preto (MG), onde a exposição “Habeas Corpus”, também de Élcio, teve sua abertura impedida no início de 2026. A experiência passou a integrar o próprio processo criativo do artista, que transformou o episódio em ponto de partida para novas reflexões sobre os limites impostos à produção cultural e as possibilidades de resistência pela arte.

Para Yolanda, trazer o projeto para Ribeirão Preto conecta essa discussão ao propósito da Central Contemporânea, que é criar um ambiente independente de produção, circulação e debate sobre a arte. “Ao reunir uma exposição dedicada à liberdade de expressão e uma casa que preserva marcas de outras épocas, a Central Contemporânea começa sua trajetória colocando em diálogo diferentes formas de memória. De um lado, a história inscrita na arquitetura, de outro, a arte como instrumento para questionar o presente e imaginar novos caminhos”, finaliza.

Central Contemporânea e abertura de “Arde Outra Vez”

Data de inauguração: 17 de outubro de 2026, às 17h
Visitação: de 21 de outubro a 07 de novembro. Às quartas, das 18h às 21h; sextas, das 14h às 18h; e sábados, das 9h às 15h.
Onde: Rua General Osório, 983, Centro
Informações: (16) 99616-1983

Posted in Cultura, Destaques Capa.
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