Recém-inaugurada na região central da cidade, a Central Contemporânea começa as atividades com uma exposição sobre censura e liberdade artística
Uma casa construída há quase um século no centro histórico de Ribeirão Preto abre as portas para novas formas de criação, reflexão e experimentação artística. A cidade acaba de ganhar a “Central Contemporânea”, espaço independente que nasce como uma ocupação coletiva de ateliês e ambiente expositivo. Sua inauguração é marcada pela abertura do projeto “Arde Outra Vez”, idealizado por Élcio Miazaki, que propõe uma reflexão sobre censura, autocensura e liberdade de expressão na arte.
A Central tem a gestão compartilhada por Yolanda Cipriano, arquiteta, urbanista, artista visual e curadora; o arte-educador Felipe Pitt; e o artista plástico e poeta Thiago Klumb. O objetivo do trio é desenvolver um espaço de convivência entre diferentes práticas artísticas, produção autoral e intercâmbio de ideias, além de ampliar as possibilidades de ocupação cultural do centro da cidade, ao transformar uma residência histórica em ambiente de criação contemporânea.
Felipe Pitt, Yolanda Cipriano e Thiago Klumb, gestores da Central Contemporânea | Crédito: Vinícius Lopes
“Abrir um espaço de arte contemporânea em um casarão da década de 1930 no centro de Ribeirão Preto é um encontro poderoso entre memória urbana e criação atual”, destaca Yolanda.
O casarão histórico
A escolha do imóvel faz parte da identidade do espaço. Construído entre 1925 e 1930, o casarão preserva elementos originais que revelam características da arquitetura residencial daquela época.
“Essa fusão valoriza o patrimônio histórico ao mesmo tempo em que oxigena a região central da cidade com novas experiências culturais e debates artísticos.”
— Yolanda Cipriano
Após passar por reforma em 2019, o imóvel manteve detalhes que conferem personalidade aos ambientes, como os pisos de ladrilho hidráulico com composições geométricas, tacos de madeira nos quartos e as portas e janelas de cedro e peroba-rosa. Os guarda-roupas revestidos com lâmina de imbuia, a iluminação natural de um dos banheiros por blocos de vidro decorado e a escada de granilite com madrepérola completam o conjunto de elementos preservados.
Nesse cenário, a arquitetura, os materiais e as marcas do tempo integram a experiência de quem visita as exposições e os ateliês. “Ao receber a produção artística contemporânea sem apagar as características originais da construção, a Central estabelece uma relação entre memória e criação, reforçando o potencial de imóveis históricos como espaços vivos de cultura”, afirma Thiago.
Exposição inaugural
A arte como forma de resistência e instrumento de reflexão sobre a liberdade de expressão é o ponto de partida de “Arde Outra Vez”, projeto idealizado pelo artista visual Élcio Miazaki, com participação de Andréa Eichenberger, Guta Galli, Marcelo Amorim, Patrícia Paixão, Renan Marcondes, Tales Frey e Wagner Schwartz. A mostra reúne produções que discutem experiências de censura, autocensura e outras formas de silenciamento no campo artístico.
A mostra ribeirão-pretana integra um projeto mais amplo, denominado “Corpo de Prova”, concebido por Élcio como uma exposição expandida. “Em vez de se limitar a uma mostra itinerante tradicional, a proposta se desdobra em diferentes espaços independentes, estabelecendo diálogos entre artistas, instituições e públicos de diferentes cidades”, comenta.
Arte de Élcio Miazaki que integra a mostra de inauguraçãoAndréa Eichenberger integra a mostraWagner Schwartz é outro artista que participa de “Arde Outra Vez” | Crédito: Renan Marcondes
A exposição dá continuidade a uma investigação artística que aborda as relações entre imagem, poder, violência e os legados da ditadura civil-militar brasileira. A trajetória recente do projeto também é marcada por um episódio de censura em Ouro Preto (MG), onde a exposição “Habeas Corpus”, também de Élcio, teve sua abertura impedida no início de 2026. A experiência passou a integrar o próprio processo criativo do artista, que transformou o episódio em ponto de partida para novas reflexões sobre os limites impostos à produção cultural e as possibilidades de resistência pela arte.
Para Yolanda, trazer o projeto para Ribeirão Preto conecta essa discussão ao propósito da Central Contemporânea, que é criar um ambiente independente de produção, circulação e debate sobre a arte. “Ao reunir uma exposição dedicada à liberdade de expressão e uma casa que preserva marcas de outras épocas, a Central Contemporânea começa sua trajetória colocando em diálogo diferentes formas de memória. De um lado, a história inscrita na arquitetura, de outro, a arte como instrumento para questionar o presente e imaginar novos caminhos”, finaliza.
Central Contemporânea e abertura de “Arde Outra Vez”
Data de inauguração: 17 de outubro de 2026, às 17h Visitação: de 21 de outubro a 07 de novembro. Às quartas, das 18h às 21h; sextas, das 14h às 18h; e sábados, das 9h às 15h. Onde:Rua General Osório, 983, Centro Informações: (16) 99616-1983
Artistas de Ribeirão transformam casa de 1930 em espaço independente de arte
Recém-inaugurada na região central da cidade, a Central Contemporânea começa as atividades com uma exposição sobre censura e liberdade artística
Uma casa construída há quase um século no centro histórico de Ribeirão Preto abre as portas para novas formas de criação, reflexão e experimentação artística. A cidade acaba de ganhar a “Central Contemporânea”, espaço independente que nasce como uma ocupação coletiva de ateliês e ambiente expositivo. Sua inauguração é marcada pela abertura do projeto “Arde Outra Vez”, idealizado por Élcio Miazaki, que propõe uma reflexão sobre censura, autocensura e liberdade de expressão na arte.
A Central tem a gestão compartilhada por Yolanda Cipriano, arquiteta, urbanista, artista visual e curadora; o arte-educador Felipe Pitt; e o artista plástico e poeta Thiago Klumb. O objetivo do trio é desenvolver um espaço de convivência entre diferentes práticas artísticas, produção autoral e intercâmbio de ideias, além de ampliar as possibilidades de ocupação cultural do centro da cidade, ao transformar uma residência histórica em ambiente de criação contemporânea.
“Abrir um espaço de arte contemporânea em um casarão da década de 1930 no centro de Ribeirão Preto é um encontro poderoso entre memória urbana e criação atual”, destaca Yolanda.
O casarão histórico
A escolha do imóvel faz parte da identidade do espaço. Construído entre 1925 e 1930, o casarão preserva elementos originais que revelam características da arquitetura residencial daquela época.
Após passar por reforma em 2019, o imóvel manteve detalhes que conferem personalidade aos ambientes, como os pisos de ladrilho hidráulico com composições geométricas, tacos de madeira nos quartos e as portas e janelas de cedro e peroba-rosa. Os guarda-roupas revestidos com lâmina de imbuia, a iluminação natural de um dos banheiros por blocos de vidro decorado e a escada de granilite com madrepérola completam o conjunto de elementos preservados.
Nesse cenário, a arquitetura, os materiais e as marcas do tempo integram a experiência de quem visita as exposições e os ateliês. “Ao receber a produção artística contemporânea sem apagar as características originais da construção, a Central estabelece uma relação entre memória e criação, reforçando o potencial de imóveis históricos como espaços vivos de cultura”, afirma Thiago.
Exposição inaugural
A arte como forma de resistência e instrumento de reflexão sobre a liberdade de expressão é o ponto de partida de “Arde Outra Vez”, projeto idealizado pelo artista visual Élcio Miazaki, com participação de Andréa Eichenberger, Guta Galli, Marcelo Amorim, Patrícia Paixão, Renan Marcondes, Tales Frey e Wagner Schwartz. A mostra reúne produções que discutem experiências de censura, autocensura e outras formas de silenciamento no campo artístico.
A mostra ribeirão-pretana integra um projeto mais amplo, denominado “Corpo de Prova”, concebido por Élcio como uma exposição expandida. “Em vez de se limitar a uma mostra itinerante tradicional, a proposta se desdobra em diferentes espaços independentes, estabelecendo diálogos entre artistas, instituições e públicos de diferentes cidades”, comenta.
A exposição dá continuidade a uma investigação artística que aborda as relações entre imagem, poder, violência e os legados da ditadura civil-militar brasileira. A trajetória recente do projeto também é marcada por um episódio de censura em Ouro Preto (MG), onde a exposição “Habeas Corpus”, também de Élcio, teve sua abertura impedida no início de 2026. A experiência passou a integrar o próprio processo criativo do artista, que transformou o episódio em ponto de partida para novas reflexões sobre os limites impostos à produção cultural e as possibilidades de resistência pela arte.
Para Yolanda, trazer o projeto para Ribeirão Preto conecta essa discussão ao propósito da Central Contemporânea, que é criar um ambiente independente de produção, circulação e debate sobre a arte. “Ao reunir uma exposição dedicada à liberdade de expressão e uma casa que preserva marcas de outras épocas, a Central Contemporânea começa sua trajetória colocando em diálogo diferentes formas de memória. De um lado, a história inscrita na arquitetura, de outro, a arte como instrumento para questionar o presente e imaginar novos caminhos”, finaliza.
Central Contemporânea e abertura de “Arde Outra Vez”
Data de inauguração: 17 de outubro de 2026, às 17h
Visitação: de 21 de outubro a 07 de novembro. Às quartas, das 18h às 21h; sextas, das 14h às 18h; e sábados, das 9h às 15h.
Onde: Rua General Osório, 983, Centro
Informações: (16) 99616-1983
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