O mercado de café no Brasil evoluiu rapidamente nos últimos anos. O que antes se resumia a poucas opções no supermercado hoje apresenta uma variedade de rótulos, termos técnicos e classificações que confundem até quem consome café diariamente. Tradicional, gourmet, especial, superior, premium: afinal, o que cada um desses nomes realmente significa?
Entender as diferenças entre os tipos de café não é apenas uma questão de curiosidade. A classificação impacta diretamente o sabor, o aroma, a qualidade da bebida, o preço pago e até a forma como o café foi produzido, do campo à xícara.
Neste guia, você aprenderá como esses cafés são classificados no Brasil, quais critérios definem cada categoria e como identificar um café de melhor qualidade no momento da compra.
Como funciona a classificação do café no Brasil?
“Todo mundo tem uma relação com o café. Pode ser de amor ou de ódio. Mas ela existe. E, sem dúvida, estamos vivendo o hype do café.”
– barista Juarez Gomes
Antes de diferenciar os tipos de café, é importante entender que existem duas lógicas principais de classificação convivendo no mercado brasileiro:
A classificação internacional, baseada na pontuação da SCAA (Specialty Coffee Association of America) e da BSCA (Brazil Specialty Coffee Association), que define o café especial.
A classificação mercadológica da ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café), que organiza os cafés em tradicional, superior e gourmet.
A avaliação técnica parte de uma pontuação máxima de 100 pontos. A cada defeito sensorial identificado, como amargor excessivo, fermentação indesejada ou desequilíbrio entre aroma e sabor, pontos são subtraídos.
“A pontuação demonstra a chamada Qualidade Global da Bebida, padronizada no mundo todo. A avaliação é feita por provadores treinados, levando em conta atributos como fragrância, aroma, sabor, acidez, corpo, doçura, finalização e harmonia”, explica o especialista.
Somente cafés que atingem 80 pontos ou mais nessa escala são considerados cafés especiais. No Brasil, a maior pontuação já registrada foi 93 pontos. Não existe, até hoje, um café que tenha alcançado os 100 pontos.
Café tradicional: o básico que domina o mercado
O café tradicional é o mais consumido no Brasil e, também, o que apresenta menor controle de qualidade ao longo do processo produtivo.
Quais são as características do grão?
Geralmente, utiliza uma mistura de grãos arábica e robusta (conilon), com foco em produtividade e custo reduzido. A colheita costuma ser mecanizada e pouco seletiva, reunindo grãos em diferentes estágios de maturação e com maior incidência de defeitos.
Como funciona o processo de torra?
A torra é mais escura e prolongada. Isso não acontece por acaso, a torra intensa ajuda a mascarar defeitos sensoriais dos grãos, como fermentação excessiva ou sabores indesejados.
Sabor e aroma
E aí, no final, temos um café com amargor predominante, aroma pouco complexo e quase nenhuma nuance sensorial. É o famoso “café forte”, que muitos associam, equivocadamente, à qualidade.
“Aquele café do dia a dia do brasileiro, no qual não encontramos nuances de aromas, só o amargor”, descreve Juarez Gomes.
O que a torra escura pode esconder?
Uma brecha pouco discutida é que cafés tradicionais podem conter impurezas e até misturas com milho ou açúcar caramelizado, desde que atendam aos limites legais. O sabor forte muitas vezes não vem do grão em si, mas do excesso de torra.
Café gourmet: um passo acima, mas com limites
O café gourmet ocupa uma posição intermediária. Ele representa uma melhora significativa em relação ao tradicional, mas não deve ser confundido com café especial.
Quais são os critérios de classificação?
Na lógica da ABIC, cafés gourmet atingem nota mínima de 7,3 em uma escala de 0 a 10. Normalmente são produzidos com grãos 100% arábica, mas não há exigência de pontuação mínima na escala internacional de 100 pontos.
O papel da certificação ABIC
A ABIC criou um selo de qualidade baseado em pureza, qualidade e sustentabilidade. Esse selo pode estar presente desde cafés tradicionais até especiais, desde que atinjam pelo menos 45 pontos na avaliação interna da associação.
Perfil sensorial
Os cafés gourmet apresentam menos amargor, aromas mais perceptíveis e sabores mais equilibrados. Notas achocolatadas, de castanhas ou frutas secas são comuns. Ainda assim, nem sempre há rastreabilidade da origem ou controle rigoroso da colheita.
A confusão entre gourmet e especial
Um ponto importante é que nem todo café gourmet é especial, e nem todo café especial é chamado de gourmet no rótulo. As classificações seguem critérios diferentes e, muitas vezes, são usadas de forma confusa no marketing.
Café gourmet: categoria definida principalmente pela ABIC, geralmente feita com grãos 100% arábica e com menos ‘defeitos’ do que o café tradicional. Apresenta sabor mais equilibrado e aroma mais agradável, mas não exige pontuação mínima internacional nem rastreabilidade completa da origem.
Café especial: café que atinge 80 pontos ou mais na escala da SCA/BSCA, avaliado por provadores certificados. Além da qualidade sensorial, envolve critérios rigorosos de produção, colheita seletiva, controle de defeitos, rastreabilidade do grão e, em muitos casos, práticas sustentáveis.
Café especial: o padrão de excelência global
O café especial segue critérios técnicos rigorosos reconhecidos internacionalmente.
Quais são os critérios da pontuação?
Para ser considerado especial, o café precisa atingir no mínimo 80 pontos na avaliação SCAA/BSCA. Essa pontuação leva em conta fragrância, aroma, sabor, acidez, corpo, doçura, finalização e equilíbrio geral.
Processo produtivo e rastreabilidade
A produção do café especial começa no campo. A colheita é seletiva, priorizando grãos maduros. Há controle do processamento, da secagem, do armazenamento e da torra. A rastreabilidade permite identificar fazenda, região, variedade e método de cultivo.
Grãos e variedades
São exclusivamente grãos arábica, com variedades como Bourbon, Catuaí, Mundo Novo, entre outras, cada uma com características sensoriais próprias.
Torra e experiência na xícara
A torra costuma ser clara ou média, pensada para realçar as características naturais do grão, e não para escondê-las. O resultado é uma bebida mais complexa, com acidez equilibrada, doçura natural e aromas definidos.
Comparativo direto entre os tipos de café
Tradicional
Gourmet
Especial
Grãos mistos, torra escura, amargor intenso, baixo preço, consumo cotidiano.
100% arábica, torra controlada, mais aroma e equilíbrio, preço intermediário, consumidor em transição.
Pontuação acima de 80, rastreabilidade completa, torra precisa, alta complexidade sensorial, público exigente.
Como identificar um café de qualidade no supermercado
Alguns pontos ajudam o consumidor a fazer uma escolha mais consciente:
Verifique selos de certificação da ABIC e da BSCA
Observe a data de torra, não apenas a validade
Procure informações sobre origem e variedade do grão
Desconfie de termos como “extraforte”: intensidade não é sinônimo de qualidade
“Afinal, quanto mais aromático, melhor a qualidade”, reforça Juarez Gomes. Além disso, a moagem e o método de preparo influenciam diretamente a experiência final. Um bom café pode perder qualidade se preparado de forma inadequada.
Por que experimentar cafés especiais?
O Brasil é um dos maiores produtores de café do mundo e também um dos que mais evoluíram em qualidade. “Já tomei café da Colômbia, da Etiópia, do Panamá e de muitos outros locais que são referências em café e o Brasil não perde para nenhum. Contudo, os nossos melhores acabam exportados”, afirma o barsta.
Experimentar cafés especiais é uma forma de ampliar o paladar, valorizar a produção nacional e entender que o café pode oferecer muito mais do que apenas amargor e cafeína.
Ao compreender as diferenças entre café tradicional, gourmet e especial, o consumidor passa a escolher melhor, consumir com mais consciência e aproveitar toda a complexidade que uma boa xícara pode oferecer.
Conheça os tipos de cafés: tradicional, gourmet e especial
O mercado de café no Brasil evoluiu rapidamente nos últimos anos. O que antes se resumia a poucas opções no supermercado hoje apresenta uma variedade de rótulos, termos técnicos e classificações que confundem até quem consome café diariamente. Tradicional, gourmet, especial, superior, premium: afinal, o que cada um desses nomes realmente significa?
Entender as diferenças entre os tipos de café não é apenas uma questão de curiosidade. A classificação impacta diretamente o sabor, o aroma, a qualidade da bebida, o preço pago e até a forma como o café foi produzido, do campo à xícara.
Neste guia, você aprenderá como esses cafés são classificados no Brasil, quais critérios definem cada categoria e como identificar um café de melhor qualidade no momento da compra.
Como funciona a classificação do café no Brasil?
Antes de diferenciar os tipos de café, é importante entender que existem duas lógicas principais de classificação convivendo no mercado brasileiro:
A avaliação técnica parte de uma pontuação máxima de 100 pontos. A cada defeito sensorial identificado, como amargor excessivo, fermentação indesejada ou desequilíbrio entre aroma e sabor, pontos são subtraídos.
“A pontuação demonstra a chamada Qualidade Global da Bebida, padronizada no mundo todo. A avaliação é feita por provadores treinados, levando em conta atributos como fragrância, aroma, sabor, acidez, corpo, doçura, finalização e harmonia”, explica o especialista.
Somente cafés que atingem 80 pontos ou mais nessa escala são considerados cafés especiais. No Brasil, a maior pontuação já registrada foi 93 pontos. Não existe, até hoje, um café que tenha alcançado os 100 pontos.
Café tradicional: o básico que domina o mercado
O café tradicional é o mais consumido no Brasil e, também, o que apresenta menor controle de qualidade ao longo do processo produtivo.
Quais são as características do grão?
Geralmente, utiliza uma mistura de grãos arábica e robusta (conilon), com foco em produtividade e custo reduzido. A colheita costuma ser mecanizada e pouco seletiva, reunindo grãos em diferentes estágios de maturação e com maior incidência de defeitos.
Como funciona o processo de torra?
A torra é mais escura e prolongada. Isso não acontece por acaso, a torra intensa ajuda a mascarar defeitos sensoriais dos grãos, como fermentação excessiva ou sabores indesejados.
Sabor e aroma
E aí, no final, temos um café com amargor predominante, aroma pouco complexo e quase nenhuma nuance sensorial. É o famoso “café forte”, que muitos associam, equivocadamente, à qualidade.
“Aquele café do dia a dia do brasileiro, no qual não encontramos nuances de aromas, só o amargor”, descreve Juarez Gomes.
O que a torra escura pode esconder?
Uma brecha pouco discutida é que cafés tradicionais podem conter impurezas e até misturas com milho ou açúcar caramelizado, desde que atendam aos limites legais. O sabor forte muitas vezes não vem do grão em si, mas do excesso de torra.
Café gourmet: um passo acima, mas com limites
O café gourmet ocupa uma posição intermediária. Ele representa uma melhora significativa em relação ao tradicional, mas não deve ser confundido com café especial.
Quais são os critérios de classificação?
Na lógica da ABIC, cafés gourmet atingem nota mínima de 7,3 em uma escala de 0 a 10. Normalmente são produzidos com grãos 100% arábica, mas não há exigência de pontuação mínima na escala internacional de 100 pontos.
O papel da certificação ABIC
A ABIC criou um selo de qualidade baseado em pureza, qualidade e sustentabilidade. Esse selo pode estar presente desde cafés tradicionais até especiais, desde que atinjam pelo menos 45 pontos na avaliação interna da associação.
Perfil sensorial
Os cafés gourmet apresentam menos amargor, aromas mais perceptíveis e sabores mais equilibrados. Notas achocolatadas, de castanhas ou frutas secas são comuns. Ainda assim, nem sempre há rastreabilidade da origem ou controle rigoroso da colheita.
A confusão entre gourmet e especial
Um ponto importante é que nem todo café gourmet é especial, e nem todo café especial é chamado de gourmet no rótulo. As classificações seguem critérios diferentes e, muitas vezes, são usadas de forma confusa no marketing.
Café especial: o padrão de excelência global
O café especial segue critérios técnicos rigorosos reconhecidos internacionalmente.
Quais são os critérios da pontuação?
Para ser considerado especial, o café precisa atingir no mínimo 80 pontos na avaliação SCAA/BSCA. Essa pontuação leva em conta fragrância, aroma, sabor, acidez, corpo, doçura, finalização e equilíbrio geral.
Processo produtivo e rastreabilidade
A produção do café especial começa no campo. A colheita é seletiva, priorizando grãos maduros. Há controle do processamento, da secagem, do armazenamento e da torra. A rastreabilidade permite identificar fazenda, região, variedade e método de cultivo.
Grãos e variedades
São exclusivamente grãos arábica, com variedades como Bourbon, Catuaí, Mundo Novo, entre outras, cada uma com características sensoriais próprias.
Torra e experiência na xícara
A torra costuma ser clara ou média, pensada para realçar as características naturais do grão, e não para escondê-las. O resultado é uma bebida mais complexa, com acidez equilibrada, doçura natural e aromas definidos.
Comparativo direto entre os tipos de café
Como identificar um café de qualidade no supermercado
Alguns pontos ajudam o consumidor a fazer uma escolha mais consciente:
“Afinal, quanto mais aromático, melhor a qualidade”, reforça Juarez Gomes. Além disso, a moagem e o método de preparo influenciam diretamente a experiência final. Um bom café pode perder qualidade se preparado de forma inadequada.
Por que experimentar cafés especiais?
O Brasil é um dos maiores produtores de café do mundo e também um dos que mais evoluíram em qualidade. “Já tomei café da Colômbia, da Etiópia, do Panamá e de muitos outros locais que são referências em café e o Brasil não perde para nenhum. Contudo, os nossos melhores acabam exportados”, afirma o barsta.
Experimentar cafés especiais é uma forma de ampliar o paladar, valorizar a produção nacional e entender que o café pode oferecer muito mais do que apenas amargor e cafeína.
Ao compreender as diferenças entre café tradicional, gourmet e especial, o consumidor passa a escolher melhor, consumir com mais consciência e aproveitar toda a complexidade que uma boa xícara pode oferecer.
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